DU AZEVEDO
Du Azevedo

Nasci na cidade de Abaeté, interior de Minas Gerais, no feliz ano de 1970. Fui criado num clima característico de cidade pequena do interior e das tradicionais fazendas mineiras. Naquela época não havia brinquedos de plástico, sendo assim, tínhamos que construir nós mesmos os nossos. Sempre com a supervisão do pai. Por causa disso tive o primeiro contato com ferramentas ainda criança.

Cheguei com a família em Belo Horizonte em 1983. No ano seguinte, através de um tio, aprendi e comecei a trabalhar com confecção de carimbo. Dez anos depois larguei tudo e fui atrás de algo mais criativo e estimulante. Entrei então para uma terapia anarquista de grupo e comecei a jogar capoeira angola. Me encantei com sua história, importância e sobretudo com a música brasileira. Mais especificamente a música afro-brasileira.

Foi então que conheci a artista plástica Anna Göbel, que além de me enfeitiçar e conquistar, me colocou em contato físico com a arte. Nós morávamos juntos com mais dois amigos com os quais descobrimos o então tímido, meio desconhecido, mas não menos malicioso forró. Sua música e dança.

A Em 1997 fizemos nosso primeiro evento de forró, o Forall, no saudoso bar Recanto da Seresta, no bairro de Santa Tereza. Nessa altura, eu fazia aulas de percussão e construção de instrumentos musicais. Integrei nessa época uma banda de forró, a Zeferino, com a qual excursionamos por vários estados brasileiros. Aí descobri um foco totalmente novo para mim: o fato de estar em cima do palco. Durante essa experiência adquiri um acervo de discos clássicos de forró. Como um processo natural, comecei a discotecar com o nome de DJ Dú.

Eu e Anna decidimos que era hora de construirmos nossa primeira filha, a Maria. Para este fim, escolhemos um lugar chamado “Jardins de Petrópolis”, localizado em Nova Lima, cidade vizinha de Belo Horizonte, em uma APA (Área de Preservação Ambiental).Com a orientação e ajuda de Pedro, nosso mestre-de-obras, colocamos ,literalmente, as “mãos na massa” e começamos a reformar e adaptar um velho sítio. Mas logo esbarramos na falta de peças que escolhemos no nosso “projeto”. Eram janelas, portas, vitrôs e outras coisas que não encontramos em lugar nenhum. Comprei então uma máquina de solda, chamada “Policorte”, e comecei a descobrir sozinho o enorme potencial que havia em uma serralheria.
Veja fotos de vários trabalhos.

Seguimos reciclando, experimentando e pintando até que ao final de três anos tínhamos três construções: uma casa, nosso lugar de dormir; uma cozinha, nosso lugar de alimentação; e salão,atelier,oficina, nosso lugar de trabalho. Onde, inclusive, abrigamos vários eventos culturais além de receber várias encomendas de trabalho na área de serralheria. Em seguida eu e Anna Göbel fizemos uma exposição conjunta chamada “Santorixá” no espaço cultural “Casa do Conde”. Consistia de pinturas e molduras em ferro. Era um trabalho bastante inovador.

Enquanto tudo isso acontecia o forró seguia com várias bandas se revezando. Havia apresentações de teatro de bonecos, dança, exibição de slides e uma peregrinação por várias casas tradicionais de dança como o Clube Elite, Sobradão da Seresta, Estrela Night Club, entre outros. E eu tocava ainda em grandes eventos com a banda de forró.

Para sairmos da “monotonia” adquirimos uma Rural de 1971. Um carro para lá de charmoso. Junto com meu mecânico tratei de adaptá-la para uma pequena viagem que se avizinhava. Houve aproximadamente sete meses de soldas, trocas de parafusos e ajustes em nosso projeto de viagem.

Tudo pronto, partimos para o estado de São Paulo com destino à Buenos Aires na Argentina. Lá contamos com a ajuda de Francisco, nosso segundo filho, de um ano e meio.Ora causando espanto, ora nos espantando com tanta beleza ,seguimos por 45 dias até chegarmos em casa para retomar nossa vida. Já batia uma enorme saudade do forró e dos amigos.

Dentre os tradicionais bairros de BH saímos em busca de um que abrigasse não só o forró mais tradicional da cidade, mas também as mais diversas formas de arte e cultura possíveis sem muito investimento, recursos e espaço. Mas com muita criatividade, muito trabalho, muitos amigos e muita reciclagem inauguramos o “Ziriguidun”. Simplesmente, o lugar da gente.

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